EU APERCEBO O MISTÉRIO
Eu apercebo o mistério do dizer infinito de Deus Pai aos homens em humilde presépio e na noite sagrada de um profundo e secreto silêncio…
Eu apercebo o mistério do dizer infinito de Deus Pai aos homens em humilde presépio e na noite sagrada de um profundo e secreto silêncio…
Três classes de silêncio apercebem-se, em saboreamento sagrado de eterno mistério, ali no profundo do espírito, no contato interior, sacrossanto e silenciado da alma com Deus, e nos tempos de sacrário, afundada no mistério do Senhor do Sacramento que se oculta, silenciado atrás das noites do mistério, esperando por se acaso alguém vier vê-lo.
Filhos, ajudai-me a ajudar a Igreja; a varrer o lixo que caiu no transcorrer dos tempos no espelho transparente e sem mancha, luminosíssimo e resplandecente da Mãe Igreja, onde, atrás da brilhantez da sua luminosidade reflete-se, descobrindo-se pela face de Cristo, o rosto de Deus nela…!
Hoje te beijo, como esposa enamorada, tremente e adorante, no passar dos séculos em todas estas partículas que no solo caíram-se; para dizer-te, em amores, as ternuras que da minha alma surgiram, ao descobrir o mistério que o meu espírito afligiu em amores, para amar-te com este novo matiz do meu coração ferido…
Todos corremos com uma mesma velocidade, ainda que nem todos chegaremos a um mesmo termo, apesar de que o termo que Deus quis para todos é o mesmo; mas não o podem conseguir senão aqueles que, vivendo do sobrenatural mediante a vida da graça e sob o ímpeto do Espírito Santo, têm asas, e asas de águias reais, que os fazem capazes de franquear o insondável Abismo que existe entre a Vida e a morte, entre a terra e o Céu.
A Virgem não tinha nenhuma tendência, nem apetência, nem torcedura, nem inclinação que a atraísse para a terra. Maria viveu como assunta durante todo o seu peregrinar, concluindo a sua assunção no abraço do encontro do Infinito.
Deus se é «Aquele que se É», na companhia trinitária da sua Família gloriosa. E «ali», na alteza da sua excelsitude, está à distância infinita de tudo o que não é Ele, habitando no esplendor da sua glória, coberto e envolvido pelos fulgores da sua intocável santidade.
Que sábado de triunfo tão glorioso!, no qual a alma do Unigênito de Deus, que ao mesmo tempo é o Filho do Homem, abre pelo fruto da sua Redenção os portões suntuosos da Eternidade, fechados desde o Paraíso terrestre pelo pecado em rebelião dos nossos primeiros Pais; e alçam-se as antigas comportas diante do passo impetuoso de irresistível poderio da alma do Unigênito de Deus imolado, em triunfo de glória.